A criação e implantação da Segunda Esquadra da Marinha do Brasil é um projeto antigo, consequência lógica na realidade de um país continental como o Brasil, com litoral de 7.367 km e apenas uma Esquadra, sediada no Rio de Janeiro.

Os críticos do projeto perguntam: se a Primeira Esquadra não atende satisfatoriamente às suas finalidades, por falta de recursos, como ou para que criar uma segunda Esquadra?

As questões levantadas são pertinentes, mas não procedem nem têm consistência sob o aspecto político, econômico e social quando se trata de pensar sobre o País, como Estado e como Nação, sua proteção, integridade e desenvolvimento. As dificuldades não devem ser vistas como óbices, mas como desafios.

É necessário que cada cidadão, a sociedade civil e suas organizações conheçam suas Forças Armadas, suas finalidades e dificuldades e saibam como apoiá-las para que sejam dotadas dos recursos necessários ao cumprimento de seus deveres constitucionais: a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem.

Estar preparado não significa estagnação. É preciso conhecer a importância da atuação das Forças Armadas em tempos de paz, além da prontidão na defesa da integridade nacional, protegendo fronteiras, litoral, plataforma marítima e espaço aéreo brasileiro. Atuam também em emergências para socorrer a população em calamidades públicas.

Tratar da instalação de uma Segunda Esquadra da Marinha é cuidar do interesse nacional, para proteger mais diretamente as regiões Norte e Nordeste.

No caso da Segunda Esquadra, em que pese o manifesto e legítimo interesse de outros estados, a ilha de São Luís foi escolhida de acordo com estudos técnicos que levaram em consideração sua posição geográfica estratégica. As características do litoral maranhense, a profundidade do canal marítimo, a variação das marés, a navegabilidade na Baía de São Marcos e sua estrutura portuária também foram fatores determinantes.

Para o Estado e, particularmente, para a capital, serão incalculáveis os benefícios econômicos e sociais, com a criação de empregos diretos e indiretos, movimentação do comércio e da indústria local, estímulo à produção e difusão de conhecimento e fomento de uma cultura naval.

A Marinha do Brasil já tem área reservada em relação a estudos futuros de implantação de uma Base Naval na ilha de São Luís, mas depende de decisão política para que o processo seja desencadeado. De acordo com as autoridades no assunto, esse é um projeto que levará em torno de vinte anos para ser implementado. Demorar na decisão será retardar ainda mais o atendimento a uma demanda que já se impõe há décadas.

Já se passaram 195 anos desde a formação da Primeira Esquadra da Marinha. A descentralização das atividades da Marinha é premente. O processo é lento. Urge que seja iniciado, em prol da preservação das riquezas nacionais, do Brasil, sua soberania e sua gente.

André Trindade é Capitão de Mar e Guerra da Marinha do Brasil e ex-Capitão dos Portos do Maranhão. Carlos Nina é advogado e Mestre em Direito Econômico e Político.